Dignidade e vocação da mulher: Mulieris Dignitatem

A carta apostólica Mulieris Dignitatem foi publicada por São João Paulo II, em 1988, por ocasião do ano mariano. O documento convida a Igreja a refletir sobre a dignidade e a vocação da mulher, partindo das passagens do Evangelho que demonstram as mulheres como pessoas às quais foram reservados planos especiais pelos desígnios divinos.

Como foi precedida por outras cartas, como a Mensagem do Concílio às Mulheres (1965), Mulieris Dignitatem busca continuar um diálogo que incentiva a compreensão da responsabilidade da mulher no cenário contemporâneo.

Mulieris Dignitatem e a vocação da mulher 

Dignity and Vocation of Women-John Paul II Mulieris Dignitatem - Crossroads  Initiative

Em seus capítulos iniciais, a carta ressalta a importância que o cristianismo dá às mulheres desde o seu início e, para isso, São João Paulo II recorda uma fala do Papa São Paulo VI, que dizia que “a mulher é destinada a fazer parte da estrutura viva e operante do cristianismo de  modo  tão  relevante  que,  talvez,  ainda  não  tenham  sido  enucleadas  todas  as  suas virtualidades”.

A anunciação do anjo Gabriel a Maria (Lc 1, 26-38) também é recordada para comunicar a centralidade da mulher no plano salvífico de Deus para os homens, já que Maria foi a escolhida para ser mãe de Jesus, recebendo dos cristãos o título de Theotokos que significa “aquela que gerou Deus”. “Na plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho nascido de uma mulher” (Gl 4,4). 

De modo muito interessante, a carta apostólica disserta sobre as passagens do Evangelho nas quais Jesus se encontra com mulheres. Jesus jamais as desrespeitou ou discriminou. Ele as perdoa (Lc 7, 37-47), é atencioso com elas e as acolhe (Jo 4, 7-29) e recebe diversas delas entre os seus seguidores, sendo uma delas, Maria Madalena, a testemunha da ressurreição do Senhor.

A dimensão das vocações que existem nas mulheres 

A reflexão sobre a dimensão das vocações existentes na mulher parte da Virgem Maria como inspiração. Em Maria Santíssima, as vocações são muito marcantes, como a virgindade e a maternidade, sendo também ela um exemplo claro de como o ser humano pode alcançar uma união com Deus que, de tão grande, parece superar os limites do espírito humano.

Em seu texto, o Papa aproveita para exaltar as mulheres, sejam aquelas que vivem em família ou as que consagraram suas vidas à causa religiosa, dedicando-se àqueles que mais necessitam: pobres, marginalizados, encarcerados, crianças, entre outros.

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A intenção do Papa é associar a vocação feminina ao amor, “exigência ontológica e ética da pessoa”, atribuindo o seu recebimento à própria feminilidade e apreciando o amor que ela doa. Esse amor, São João Paulo II chama de “vocação universal”, no qual se manifestará todas as vocações da Igreja e do mundo.

Na conclusão de seu texto, o Papa dirige-se diretamente a todas as mulheres contemporâneas, fazendo um apelo para que elas mantenham o esforço de descobrir em si a missão que lhes foi confiada por Deus.

Ele rende graças à Santíssima Trindade pela existência da mulher, agradece pela vida e dignidade de cada uma delas e pelos frutos gerados por suas ações, além dos belos exemplos de santidade que foram deixados por muitas mulheres, amparadas na descoberta da vocação, fruto do amor de Deus.

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